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sábado, 5 de maio de 2012

URGÊNCIA




Então a gente combina assim...
Eu e sua silhueta...
a noite é um convite
o sabor que sinto
na minha boca é agridoce
 o cheiro que sinto e amendoado...
a lua é um holofote que ilumina só os contornos apropriados
...mais perfeito que isso  
só se o tato com o arrepio
fosse imediato...

Lupi Poeta.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

MARIZA

MARIZA
Logo cedo, depois do café, que nunca é amargo o bastante, para sucumbir seus sonhos, ela sai para enfrentar o “tronco” onde lhe açoitam tantas realidades que marcam alma inteira... E apesar das cicatrizes, nunca atingram seu rosto suave e seus olhos de uma nudez que grita beleza... Suas vestes de luta a toga para enfrentar as várias faces de “deus”...que descumpre a promessa de deixar tudo ao livre arbítrio...Ela, resignada sente na carne a dor proferida a outra carne, que o ranger dos dentes estava escrito na hora que foi parido...E Ela ainda sofre com a parte que pariu,pois é a que mais sofre como ordenou a própria ordem das coisas... Ao fim do dia decidi entre o vestido branco ou a saia de ceda laranja... Há de ter alguma armadura para manter a feminilidade que por descuido Deus lhe deu de forma profusa...

Lupi Poeta

quarta-feira, 28 de março de 2012

POETISA



Como se fosse um regato
de margem tão suave que os pés
judiam...
O barulho que faz ao primeiro despertar
é a umidade da própria vida
Ah! deixa vir o sorriso a tua boca madura
Deixa o cheiro do viço de mulher sensível
espreguiçar a primeira luz
Toma conta da gente hibridamente
Embalando almas nossas
com sonhos seus
realizações suas...
É assim o dia do nascimento de uma poetisa
Vê-se passando as flores pelo riozinho
uma a uma contado uma história linda
que se envolve em uma aventura
do dom da vida dedicada a descrever beleza
A contar de paixões,de cores
Uma flor mais perfeita que a outra
Vai contando os anos seus
Que não conto até o fim
Seria indelicadeza desse outro vate
Contar a idade
Segredo sempre do charme da mulher
que você é em plenitude
Procura harmonia margem sua...
Mas não tentem tomar a paz da poetisa
Não a façam chorar de tristeza e dor
que seu riozinho toma proporções
de mudar as ilhas todas a sua volta.

Lupi Poeta

MARIA



Chamo-te durante a noite
Já não me escutas?
Provoco-me um prazer burocrático
Que roubo de Anas, de Saras,de Marias...
Arrisco-me a dizer que és de
ti, Maria, que sinto mais saudade...

Quando foi que passaste a subestimar
a minha alma livre?
Já não me escutas?
Tenho que subtrair da imortalidade
a morte dessa noite
e minha saudade exausta,
quase desertora...
Já que não me escutas mais...

Não há verdades em minhas
palavras de desatenção,
Por que verás, ao entrar em meus
espaços, que há vestígios teus por
todos os lados.

Lupi Poeta

segunda-feira, 26 de março de 2012

ESPERA




Quis..
mas não bastam meus só meus desejos
que estão vencidos hoje...
Com o entusiasmo acuado
que não adiantas meu querer
Se o que tenho são só lembranças
e imagens turvas suas...

Que se foi sem medo da revelia
e dos meus julgo ansiosos...
O amor tem como enfeite a reciprocidade
que não tive...
O que sobrou foi esse cansaço causado pelos suspiros
E esse sorriso e fechar de olhos a cada lembrança sua

Ah! Mas se você voltar!
Verá que a dureza de minhas mãos
e dos meus olhos
provocadas por minha resignação exausta
não condiz com o conforto que meu coração
dedicou a esperança da tua volta....

Lupi Poeta

MEUS PERSONAGENS




Vou deixar que me decifrem
dia desses...
Mas dessa devassa arriscada,
sobre olhares suspeitos
de meus personagens
em risinhos pervertidos,
de quem imaginam ser donos de segredos
e nem são...
Digo...
contem a eles que
não se acha nada em mim a não ser eles mesmos...

Eu os alimentei com meninices tantas
e cirandas que participei e vi passar...
com vaidades minhas...
e com as que não eram minha
que se amanharam em magoas
e outros pecados tantos
que nem sei
e nem eles
o que é pecado mais...

Mas há algo fácil de ler...
Não vão encontrar coisas
que ensinem nada à medicina
ou à filosofia...
Melhor que deixem os loucos sem cura
e os postos em paixão continua
com esse infortúnio curioso...
Esse tipo de gente
competem certo
de que qualquer coisa fora
do contexto que não seja
o risco total pela alegria
não faz a vida valer à pena...

Lupi Poeta.

sábado, 24 de março de 2012

PASSEIO DO POETA



As vezes tomo um caminho
dispersos acreditado alucinadamente
contemplar mais do que a visão
alcança
Tolice dissimular que eu possa entediar-me
se imaginação tenho com mais força
que a razão...
Tenho essa visão doidivanas das coisas
deixo ficar meus olhos mais atentos
deixo minhas fantasias tomarem conta de mim
ando devagarzinho desviando das emendas das calçadas

Ah! como são bela as cores das coisas todas
caleidoscópica é minha compreensão delas...
Há uma moça na janela
Perturbo-me com seu jeito feminino
e um olhar perdido
Reconheço meu olhar no dela
Apaixono-me irremediavelmente
Sempre me apaixono por um instante do dia
não conto novidade nenhuma
Só que meus escritos
já tem compromisso certo com os suspiros...
Ela se afasta
Decoro seu semblante
e eu sei já sorrir...
Foi assim que aprendi
Não sirvo para paixões longas
Estou mais para lembranças
nunca as perco...
Deixo para os cronistas descrever socialmente o que a cidade oferece
Eu, egoísta, fico com as cores
com os vultos que vejo
com os imagináveis
Com as historias que tomo posse dos edifícios
das esquinas,
dos becos
e as paixões que invento
e as que deixam em mim.


Lupi Poeta

sexta-feira, 16 de março de 2012

DESABAFO



Eu estou na vida para ser do bem
Cercar-me de pessoas do bem
Para ser feliz
Para crescer como ser humano
Não procuro a perfeição
Procuro fugir do defeito total...
Eu falo com “gentes”
Gosto de ouvir “gentes”...
Mas falar mal por falar mal
esse que vos escreve
Não fala não!
Quero ficar longe de intrigas
Perto da sensibilidade
Longe da inveja
já que a vaidade provoca-me
Quero o bem querer das pessoas
Ah! Não falem mal de mim quem não me conhece
Já basta a injustiça que fazemos uns com os outros
Mania tola das pessoas de adivinhar os outros
por qualquer gesto tresloucado...
Logo eu que sou meio estabanado a primeira vista...
Tenho dores e amores
Tenho erros enormes
Ansiedades e vontades...
Eu tento ser simples
Não quero ser simplório
Eu quero mais é ser muito feliz
e tentar não deixar ninguém triste...
Se eu estiver deixando alguém triste
Deixe-me...
Deixe-me...
De tudo, o que mais sei
é que sei ser um ermitão.

Lupi Poeta.

quinta-feira, 15 de março de 2012


...

NOS DÃO APRAZADAS

PORÇÕES DE ALEGRIA

TÃO POUCA...

EU QUERIA MAIS...

ISSO DE ALEGRIA

VICIA A GENTE ...


Lupi Poeta

QUEM SOU EU?A SAUDADE?



Sou o momento que o orvalho deixa de namorar a flor
E se torna apenas mais uma gota no rio
As marcas dos dedos femininos
deixados na umidade da taça de vinho vazio
O consentimento perdido do beijo esperado
A despedida do telefonema desejado
em que não se diz, nem se ouve as palavra
imaginadas...

A adolescência que me abandonou
Deixando aqui um corpo maduro
Que sabe de cor as cambalhotas
e aventuras tantas
mas que não se atreve mais os riscos...
Mas sou também o cheiro que sua nuca
deixou em minhas mãos...
Sou a esquina que dobra a rua
que leva ao quarto
que leva ao canto
que acende o abajur
que abre o caderno
que cheira a mão esquerda
e escreve com a mão direita
como foi bonito de se ver o momento exato
em que a lua de hoje apareceu atrevida como nunca!

Lupi Poeta



SER POETA NÃO É SÓ ESCREVER FRASES
DE EFEITO
DE ENFEITE
COM MORAL
AMORAL
DE AMOR
DE DESAMOR
DE PROTESTO...
SER POETA É UM ESTADO DE ESPIRITO!

Lupi Poeta.

ANSEIOS DE POETA




Inspirado em Hanna Brescia.

Sabe o que eu gosto de fazer
com o que eu escrevo?
gosto de deixar marcado
nas retinas das “gentes”
os seus melhores gritos...
No coração “delas”
acordar a sua sensibilidade
mais atrevida...

Lupi Poeta.

terça-feira, 13 de março de 2012

DE MINHAS MÃOS CASTELOS




Sou como uma ampulheta
E cada grão de areia
que escorria dela
é como uma pessoa
que passou em minha vida
e deixou mais amor em mim
do que eu merecia...
mais almas fartas de colorido que a minha distinguia
eu fingia não doer tanto quando escorria de minhas
mãos o que achava que colecionava como ostentações
Tentava acudi em dedos já rijos o que já nem era meu
Por falta de cuidados...

Mas em minhas mãos suadas
envolvia pouco dessa porção que do me doaram...
Tentava desesperadamente recolher de volta
o que dela escorreu
com minhas mãos bisonhas o que me deram...
Mas delas fugia mais escorregadias ainda
pois já não me pertencia mais...

Formaram duna de carinhos que nem mereci...
onde vagueava pegadas dum desajeitado
e rude aprendiz do valor do afeto
pelo afeto...
Devaneio...contesto!
Como quem tenta enganar o tempo vou virar
o que é em mim essa ampulheta...
Como quem precisa resgatar
o bem que espalharam em minha volta...
Devo ter outra chance de ver cheio meu coração
do amor que me deram...
Vou tentar ter as mãos mais firmes
um coração mais menino
com mais devaneios...
anseios mais ingênuos
Com essa areia construirei um castelo de baile
Há de ter alguém que dance comigo
uma música que deixarei que meu par escolha
para eu exercitar o desapego...

Lupi Poeta

terça-feira, 6 de março de 2012

NAS PEQUENAS COISAS





Quando se achava que todo já se havia dito
sentido
esquecido
Aquietado-se no tempo do verbo perfeito
vem a saudades ávida ainda e viva
que sabe todos os atalhos
com os olhos da alma que
tem visões periféricas
que só o coração enxerga
e só ele traduz...
E da forma sempre irracional que ele escolheu
E aonde nada mais deveria acontecer
Há um pouso suave de uma borboleta
Multicores
E o perfume de um jardim de jasmim
o homem é movido pela profundidade
que o afeto alcança nele

Lupi poeta.

SIMPATIA PARA TER UM NOVO AMOR




E quando teus medos dormirem
E quando tuas guardas baixarem até seus pés
E suas cicatrizes forem
para a outra metade encaixe
tu nem vais sentir...
O amor não tem tempo
nem números
Pode ser só um
Pode ser muitos
Podemos ter que parar de contarmos
O que não podemos é esconder nunca
São as belas cicatrizes
que eles insistem em deixar
na gente enquanto a vida em nós.

Lupi Poeta

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

VAIDADE DE POETA





(poema dedicado a poeta Reggina Moon por ocasião do seu aniversário)

Eis que por ocasião do nascimento
desse poeta
Deus soprou não apenas vida em minha alma
não soprou só o viril desejo pelo sexo oposto
mas uma doce,terna, frágil
e apaixonada cisma
pela ausência de sinônimos
que não divinos ou não revelados
para a alma feminina...

Desde de então
não passei um dia de sossego
em suspiros e angústia
que nunca tomei como execração e sim boa dita...
que faz faltar às vistas agora
quando dito aos dedos que passaria a vida escrevendo canções
e bem dizeres a ti...
Que discordo sexo oposto para batizar-te metade...
onde vim pregar que sou também metade...
Mas Deus por vaidade
Olhou-me e disse:
Tu sucumbirás também às luas...
Por isso essa mistura doidivanas de poeta e lobo
Do meu gosto pela dança
mas também ao ermo...
que só se rende à metade que me completa
ou às noites de lua.

Lupi poeta.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

DIDÁTICA




DIDÁTICA


Era uma noite
clara e verdadeira...
Tanto que se confundia
com a sombra de Deus...
Se o misticismo é imperfeito,
hoje o vento é perfeito
como a fé...
Assim também a saudade
da inocência...
Acima da noite sobrevoam
as almas
(como é magnifico voar).
Elas só voltam depois
com didáticas de sorriso.

Lupi Poeta

sexta-feira, 1 de abril de 2011

POR OFICIO POETA




A beira da estrada
Pedindo carona a vida
Intempestivo e revel
tem horas que perco a roda
que gira sem mim
Tentado perder algo da história
E quando vejo
ela não me deixou
fora de nada quando estive a beira da estrada

Vigio dentro de cada condução que passa
Espreito os rosto
E adivinho mesmo quando falho e equivocado
A vontades todas
A solidões todas
O gozo
A falta dele
O amante
O traído
O que mente
O que aceita como verdade a mentira...

Como vate condenado
A viver um pouco o sentimento
de todos
aceito o adágio como oficio
Hora de dor
Hora de amor
Hora me sentindo semi-deus
(pobre mortal mais frágil que os outros)
Não se iluda ninguém que ando com coragem
e me apego ao avesso...

Que me falta mesmo
é agarrar forte no aço quente do trem
E sentir o vapor no dorso
do que é a vida sem perder
uma estação sequer...

Lupi Poeta

terça-feira, 15 de março de 2011

RELÓGIO




Sou ermitão confesso...
E minha ousadia
é o bom conviver de um poeta
que me fiz...

De um jeito sutil
que não é minha virtude mais atenta
pois sou mais
de alarde...
construi ladeiras em paralelepípedos
que expõe montanha minha
onde escorrem meus segredos
que não queria contar...
onde meus joelhos dobram
de cansaço e emoção...
onde abdiquei da solidão e silêncio
e fui ao extremo da paixão...
onde não sucumbi a meu vicio
que é a emoção
essa mania que é a exposição
que me impôe castigo...
pois o que é certo em mim
é o contra-senso
a liberdade desperdiçada
e essa noção empobrecida
do que vai ser a vida
por eterna
a vida por relógio é feia...

Lupi Poeta

CONVITE III




Ponto por ponto
Num ato difuso
Queria tanto adivinhar
O dia de amanhã...
Não as páginas policiais
Nem as loterias...
Bastava saber se tu ririas
Pra mim...

Como me basta agora respirar
e saber escura a noite
E que tu dormes...
E imaginar o desalinho dos teus cabelos...
Se tu acordas vais pensar em mim
que eu sei...
Vai sorrir que eu sei...
Vai procurar na parte oposta do leito
Um cheiro meu...
Queria adivinhar se em outros amanhãs vou completar
a parte que és tão minha hoje...


Lupi

MULECAGEM DE POETA





vocês lindas moças
queridas tolas
(quanta inveja minha)...
que assim só almas suas
queridas almas femininas...
prometo em meus enleios

há de ter sempre flores pra vocês...
se teus jarros ficarem vazios...
avisa a esse poeta que lhes quer tão bem...
que é poeta por vocês,
lindas moças...
a melhor parte de dar flores
e o querer dar flores
(e ver e amar teus sorrisos...)
é subtrai-las nos jardins alheios...


Lupi Poeta

quarta-feira, 9 de março de 2011

VIDA




Vim ferir o dia

Meu pior defeito

é o livre arbítrio...

Vem essas horas

que não sei mais

o que é o bem

ou o que é o mal...

então desfigura-se o dia...

E fico esperando o castigo

armo o algoz

e queria mesmo urgente o castigo

ou a paga...

Dou meu sentimento

a dores que eu não queria sentir

Não procuro as dores

não é isso...

Mas procuro sempre resposta

Quero aprender...

o que é o bem

o que é o mal...

e o dia fica ferido

pela angustia de experimentar

a vida...



Lupi Poeta

quinta-feira, 3 de março de 2011

TARDE OUTONAIS




Deixa o outono vir...
há em nós uma primavera
armazenada...
das flores que colhemos e rimos...
ainda há um eco em nossos corações...
de onde vimos...
do que rimos...
do que agora
sabemos de cor ...
Para onde olhamos...
daqui...
Por nossos sentimentos...
Fica tão bonito
toda essa terra coberta
com essas folhas...

LUPI

AGORA CUIDA




As vezes sinto
Que meu coração
Vai se desmanchar
Sair por todos os poros
e disforme de tantos sentimentos
vai se fundir em minhas mãos
para ser entregue para você...
Quem é você que me olha assim como
se eu fosse tão bonito,
o mais bonito dos homens?
Quem é você que domina
a forma que meu corpo
sente o chão ?
E deixa meus sentidos
Por conta dos seus...
Quem é você que adormece minha razão?
e como um ser encantado
dá morte a todos os “atravancos”...
e Já não me canso
e minhas mãos tem a força
que preciso para carregar
meus coração cheio...
Diz para mim
como você vai fazer
agora que tem dois corações para cuidar?
Já que levou o meu
que não quer mais estar longe do seu...

Lupi Poeta

ESPERA DO INCOMUM




Atravesso a zona de segurança
estou sempre equilibrando no cabo da navalha
chego perto do fio dela e rio
pois ainda quero muito da vida...
Sou ansioso
Curioso com excesso
propriedades de uma existência poética...

Não só dos poeta
mas de todos que se entregam
perdidamente à sensibilidade
Enquanto os cientistas falam que é a água
que nos domina
eu contradigo...
em meu corpo
em minha alma
sou feito de urgência que sem elas desidrato...
o que vem pelos olhos
que faz o coração apertar
e a alma transfigurar
deixa minha pele perfeita

Lupi Poeta

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

POEMA DE ADEUS




Quando quis contar-lhe a verdade,
mentia
pois ela dói
e eu não queria
causar-lhe dor...
e nem queria sentir dor
Queria ter sido sempre
o que entendo por conforto
mas em evasão fui descuido...

Queria decorar o olhar que lhe dei
em um momento raro
de pouco medo
e poucas dores
mas hoje desvio meus olhos aflitos
das dores que sinto e provoco em você...

Ainda hei de descobrir o que transforma
em mim o que devia ser
apenas um ajunto de tempo
e boas lendas nossas
em medo de sentir alguma angústia...

Nem sei se sou medo de doar
ou receber o que desejo
tenho medo de que meus desejos sejam
tão inconstantes que eu passe a aceitar
que sou um desenho para ilustrar
como deve ser uma ilusão sucessiva
e sozinha...

mas isso só conta o tempo
quem sabe
é o tempo
e ele é mudo...
se não for mudo finge ser...
nesse momento tenho que escolher
quem fica nesse poema
nele não cabe mais nós dois...

Lupi Poeta

A BELA E A FERA




(Para uma borboleta...)



Era uma vez um ermitão...

Um ser que se achava mágico...

Imaginou-se um arbusto...

Não conseguiu ser um dos mais bonitos não...

Tratou então

Por não conseguir produzir uma florzinha se quer

de pendurar nele mesmo uma flor dessas artificiais

que com açúcar e água que atrai o cuitelinho

onde vieram muitos...



Mas encantou-se mesmo

no dia que uma borboleta

Muito mais mágica que ele pousou

Sobre ele...

Esperou que ela como o cuitelinho

se enganasse

e nele viesse de vez em quando pousar

deixar naquele arbusto taciturno

um pouco de sua leveza



Lupi Poeta

sábado, 19 de fevereiro de 2011

TESTAMENTO




Fico calado de cotovelos nessa folha
Arremato os lados como moldura...
Para que nada fuja...
Nunca deixei de tomar nada
para que eu não tenha insônia;
nada que não me embriague;
nada que não engorde;
para que não me engravide;
para que não falem de mim...
Nada que não ofereça atalho ao meu sopro de vida...
Não fugi de paixões ...
Como não sou politicamente correto
Muito menos sou fisiologicamente correto
Tenho suores frios
Pela espera verdadeira
E pela a que imagino
Alias, mais deliro e sonho
do que vivo o real...
Na verdade mesmo
acho que perdi meu limiar...
acho que sou emocionalmente indefinido
Lamento não ter entregue
meu quinhão de emoção completo
a uma alma feminina que quis me dar a sua...
mas se não dei ...
deixei usufruir...alias deixo em usufruto...

e um punhado de lagrimas sem emoções definidas...
são as melhores...

Lupi Poeta

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

EQUAÇÃO DA SAUDADE





Enquanto caminhava devagar
por uma trilha que me sabia de cor
e escutava Caetano e Nando...

Soprou um vento que me fez sentir
Meu próprio cheiro
Que é em osmose que pouco se explica
mas que se entende tanto
o mesmo cheiro que sentia em você....

Fechei os olhos por um instante
E mesmo que eu quisesse ter forças
para evitar o sorriso
ele veio...
E eu o acolhi como que acolhe o ar
que a vida suspira em mim mais que respira...

Lembrei-me de momentos simples
em que você dava beijinhos
no canto dos meus lábios
roçava devagarzinho tua boca nos meus cílios
soprava segredos em meus ouvidos
que mesmo os que estavam mais longe adivinhavam...

Já devia ter tempo lógico o bastante para eu esquecer
esses momentos que se foram a tanto...

Mais como
se seu jeito é a quantia exata que eu sempre quis de alguém?
Se as coisas simples não estão para a felicidade
assim como a felicidade está para as coisas simples
Ai é que eu abandono de vez a matemática

Lupi Poeta

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

MEU CORAÇÃO SEM CÔMODOS




Hoje tive coragem de tirar
as barreiras que eu mesmo fiz
para chegar ao porão do meu coração
E sei agora por que sempre me furtei disso
Lá estava você no sentimento mantido
Como deixei antes
Em teu vestido mais bonito
E no teu cheiro só seu
Tão meu...Tão meu!
Depois de tantas voltas que o mundo vez
De tantas voltas que meus sentimentos deram
Esta você ai
Sorriso perfeito
Olhos que dizem o que eu sempre eu quis ler
(mas hoje não me olham mais)
Você sentada sobre o meu baú de sentimentos
Nem sabia eu que ele estava aqui...
Depois de tantas peles sentidas...
De tantas promessas passadas para outras mãos
Que fazem elas com você?
Por que estão todas elas em suas mãos?
E você sorri
eu respondo teu sorriso
Com que ri para um espelho
Tua ausência é o sinônimo perfeito
do que eu sei por saudade
Afrontada a confissão
sou por conta dessa essência
esse cômodo em que você persiste em estar...

Lupi Poeta

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

ESTRELAS




Ontem eu vi um cometa
desarrumando
o céu certinho
das três marias
do cruzeiro do sul
dos interrogantes zodiacais enfim
Pais de tantas insônias provocadas...
Que ilusão megalomaníaca a minha
sentir como se Deus estivesse
chorando algo que cometi.


Lupi Poeta

QUEM INVENTOU O AMOR ?




Ponha suas mãos sobre as minhas...
Deixa eu admirar
essas formas suaves
Que seus dedos tem...
Deixa eu imaginar
Que nunca acaba...
Tenho em meu bolso
O papel que ontem
Você escreveu meu nome
e desenhou um céu...
E mais nada importa...
Fica um mundo inteiro de Histórias
para cuidar bem depois...
Ah!você pode ir...
Eu sei...
Eu não sei esperar...
Todos partimos...
Todos voltamos...

Mas nunca me mande
uma carta de adeus...
se um dia for...
que seja como a maré alta
que espantou os amantes...
mas ali deixou
conchinhas coloridas...



Lupi Poeta

ALMA






Tenho uma alma danificada
por tanta emoção que esse corpo sente...
Quando me entreguei a esses sentimentos todos
que meu corpo acumula?
Pensei que minha alma defenderia- se...

Mas ela se entrega...

Por que Deus
deixa eu sentir tanto
Todas as emoções desse mundo?
Por que eu tento
e não me esquivo
dessas emoções?
Deixo que tomem conta de mim
todas as emoções desse mundo?

Por que não me furto de nada?
Dou minha cara à tapa
E meu coração a sorte qualquer...
E acredito que todos vão dar-me
motivos
para eu escrever histórias bonitas para eu contar?

Deixo na conta de minha alma essas emoções diversas
esse risco de romper com o equilíbrio

a concessão que faço...

faço pose de lobo mal...

cordeiro tolo...

Concebo noutras história
Signatários dos meus sentimentos...

Recebo horas aqui
outras ali
emoções
que contam
passos largos
para meu convencimento de que devo me entregar
de corpo e coração...
sempre que acho que vale a pena...
Quanto ao corpo e coração
Tudo bem !
Mas e minha alma?
Dela
há de se parar qualquer hora
de arrancar pedaços...
Como explicar para Deus
esses hematomas tão nítidos nela?

Lupi Poeta

SIMPLESMENTE




Vem colorir meu mundo...
Vem...trás os pincéis todos...
Vem... deixa tudo mais feliz...
Com tua delicadeza...
Com sua alegria...
Com tua poesia...
Com tua beleza suave...
Vem deixa lá fora as coisas todas...
As queixas...
As duvidas...

Aliás traga algumas dúvidas sim...
Que a certeza absoluta é burra como
Ensinou Nelson Rodrigues
e cantou Caetano Veloso...
Deixa uma musica de Caetano
E me pinta com as cores exageradas
Dos surrealistas...
Sobre as cores e emoções
deixa aqui só a emoção destinada
as cores que só você sabe inventar..
vem colorir um mundo que sem você
descubro,
fica todo e sempre em preto e branco...

Lupi Poeta

VIAGEM DE POETA



As coisas são exatamente como tem que ser...
Tem horas que nem mesmo o poeta
sabe mais se cabe poesia por si só
Tem que haver uma coragem
que não é própria dos poetas
Porque para o poeta
tudo tem que ser fácil,
até a saudade...
(assim ordenou Deus...)

Então, vira tudo um texto de adeus
ou um convite para mais dúvidas
Por que tenho a impressão de que
a vida é a eterna ausência
do que realmente pretendemos?

O melhor de tudo isso,
o que salva o contexto de total tristeza
(tornando-se assim um antônimo perfeito),
é que o poeta ama o novo, o inesperado.

Lupi Poeta

MUTANTE




Há uma ausência enorme em mim...
mas não de outras pessoas...
mais minha mesmo...
Não é ausência dum eu triste ou alegre
Ou um eu destemido ou covarde...
É um levante...
Talvez uma conspiração do corpo combalido...
Difícil viver sempre em recuperação
Das convicções de que devo competir
minha existência em atar e romper
com os ardores que minha alma pede...
meu corpo é sempre o mesmo
não acompanha essa mutação intempestiva
das minhas emoções...
devo ser uma experiência comovida de Deus
de como seria um homem compulsivo
pela a aventura da emoção ao extremo...
é uma aventura saber hoje o que é bom
e o que é ruim
que não me atrevo a explicar não!
dediquei uma existência inteira
a desenhar coisas que explicassem
essa essência apaixonada...
há de ter uma anomalia na minha razão...
se há uma divisão anatômica dos lugares
onde sentir cada coisa
em mim não há não...
é uma arruaça patológica essa existência aqui...

LUPI

PRESENÇA




Seus olhos conciliam meus sentidos...
olhos difíceis de não seguir
e não acreditar no que eles vêem...
é que quando você me olha
eu existo tanto!
Você respira ares perto de mim enfim...
Canso de ser um enredo do que sou
quando você deixa aqui só saudade
e desejo da mania que tenho de você
Ah! Quando você me olha
Eu existo tanto!

Lupi Poeta

POETA




Há certos delitos que hei viver e morrer cometendo...
Se é pra ser marginal que seja pelos crimes mais doces...
Se é pra ser julgado
que invejem todos das minhas contravenções...
Delas,
há de sobrar em mim
um coração e uma alma
com provisões de lembranças
que me façam o condenado
mas feliz do cárcere

Lupi Poeta

NOTURNO





ah! a dimensão da vida....
A força que uma existência tem...
A importância que os sentimentos tem..
Não sabemos nada...
E por elas devemos gastar nossa sorte,
nossas noites...

E nessas horas que contam a noite
tenho em mim todos os extremos
todos os excessos...
o da paixão
das coisas do amor
do sofrimento estendido
da felicidade de um menino
que ainda não aprendeu
que há a vaidade para procurarmos espelhos...

exponho com tanta força minha emoções
que minha garganta e peito reclamam a saliva que devo engolir...
tenho carinho e as infantilidades todas
e uma urgência em tudo
que as vezes deixo de fazer ou dizer coisas
porque tenho que dizer e fazer outras coisas...
choro fácil
dou gargalhadas enormes
em que meu coração se liberta...
mas também se encarcera
rápido demais
nessas horas que contam a noite
partilho tudo que é meu
deixo tudo liberto
só não me desapego de minha paixões...

E ao primeiro sinal,
da primeira clareira
que o sol faz...
Escondo todos esses segredos...
Quem recebeu algo de mim em uma noite
reconheça como seu e guarde...
Porque de dia não sou assim...

meu medo,talvez o motivo da minha insônia ...
é que o mundo esqueça de amanhecer...

Lupi Poeta

DA TUA HISTÓRIA




Ah! tu sabes bem...
Que sinto falta...
Do teu sorriso
De tua birra
De tuas manias
De tua dança
Do teu cheiro
Da tua festa
Da tua sina
Das tuas cismas
Da tua rua
Da tua lua
Da tua ironia
Das tuas promessas
Da tua nudez
Da tua timidez
Do teu bocejo
Do teu medo
Do seu luto
Da tua luta
Da tua rima
Na poesia que te faço
Visto as vestes que me deste...
E roubaste depois...
Com tua trama...
Em tua cama...
Na tua folia
Na tua alegria
Na tua raça
Na tua pirraça
Na tua arruaça
Na tua taça
No teu brinde
Na tua fuga...
E tu não voltas
E eu fico em volta dessas
Relíquias
Que tu me deste
sem que eu pedisse...
Nesse sim que faço de olhos
conto...
se eu rir
é da saudade mais bonita...

Lupi

GRITO






Sou assim...
repleto de tantos sentimentos
em avalanche...

Que a realidade é dique
e o silêncio fia...

Eu quero ser um grito!

É que se me calo sou
comum...
e se falo sou trovador...

e se me calo sou sobrevivência
e se falo
sou uma ciranda inteira...

Lupi Poeta

SAUDADES




A noite agoniza...
Já mistura-se
com os tons do dia...
E da decisão pela angústia hoje errei...
Mas são as emoções que me escolhem...
Sobrou um corpo vencido...
Quando vou parar
de trocar o dia pela noite?
É que do dia já tiram tanto...
De dia roubo a sensibilidades dos outros...
E do amor que roubei de você
fiz cômodo estreito qualquer lugar que você não esteja...
hoje em tua falta tudo era tão estreito
que não mensurei por medo...

E fugi para noite...
Na noite
Consigo aproveitar
até o que se descarta

Vigio as fibras tensas... a vadiagem...
e as pretensões de não fugir da clandestinidade...

Dou outra poesia a toda melodia
Ruminei todas as saudades...
Salivei todas as minhas vontades...
E a noite não enxergo todos espaços que deveriam ter você...
E se não me curo ao menos vigio a ferida...

E agora ao amanhecer
não escuto mais o que a música diz...
Como não me livrei nem absorvi a saudade
tenho que esperar outras noites...
Toda minha sensibilidade é forjada
a luz da lua.

Lupi Poeta

"POEMINHO" DO SEDUZIDO




No escuro
Se encontrando
no tato
No odor...
No hálito
de vinho...
Procurando
Encostar o corpo
no outro corpo
nos lugares certos...
Atento
as palavras doces
outras fortes...
Estreita a noite
Dilata
A retina...
A pele...
eriça
sem frio...
E o medo
se arreda
tanto
que eu
sou você
e você sou eu...

Lupi Poeta

PROCURA-SE ALMA DUAL




Esse deserto deve ter fim...
E devo encontrar nessas
Andanças minhas
De pés viciados
a paixão que eu procuro...

É certo que o defeito está em mim...
Há uma dualidade em mim...
Alias essa é única coisa que tenho como certa...
Meu defeito protegido...

Pronto sempre para viver
mais agonias que sossego...
mais procuras que achados...
Decerto esse deserto
deve ter fim...

Olhos e bocas que me encantaram
já encontrei...
Mas procuro um colo que eu descanse...
E que nele tenha

olhos,

boca

e alma feminina...

partidas também...

que se ajeite definitivamente
a essa dualidade da minha.

Lupi

CONFISSÃO




Nessa hora de confissão
Meço o quanto voei...
com qual par de asas?
Carente,verto meu medo
em suores frios....
Não é um medo de perdas...
É de alguma hora não
acumular o que perder...
E ai irem levando
Qualquer parte minha que não valha
Revirarem meus segredos...
Apesar de eu ser essa existência
escandalosa ...
Até para deixar algo meu ir
embora...
que seja algo de valia...

E não achem que só vejo valia
nas coisas chamadas belas...
Quem sabe a lista completa do que é belo
ah! não me conte...
Não precisava viver até aqui para saber
Que o que é belo e caro hoje...
Amanhã...pode ser a primeira coisa descartável ...
já basta as coisas que não mudam
para enfraquecer nossa luta...
nessas horas de confissão
melhor mesmo é deixá-las
escritas em colunas dos viadutos...
Porque por ali passa todo tipo de doido....

Lupi Poeta

ENCONTRO




Seja o que for acontecer...
Com a cobertura da noite
e esta provocando
esses efeitos
que não são novos
mas bem vindos...

Seja o que for acontecer
que deixa esse riso em mim assim
até doer meu rosto e corpo
de aflição...
Que pode até fugir da boca
mas dos meus olhos...

Seja o que for acontecer
Que me deixa assim
antes de você chegar...

E quando você chegar...
Seja o que for deixar em mim
eu permito sim...
Forte assim
Vestígios seus
Em tudo que é meu...

Lupi Poeta

RÉPLICA




É um desafio a vida...
E que bom que é assim...
Como é apropriado que seja assim...

Dizem de nós
que somos seres humanos...
Eu proponho outro conceito
Somos seres que procuram...

É uma busca insana...
Em apertado acerto...
Conspira o mundo
para que não achemos
muitas respostas de um
"supetão" só...

Tem que ser devagar...
Sofrido...
Entre risos e choros
Entre prazeres tímidos...
Comovidos pela procura...
De uma felicidade
que nos foi tomada...

Vênia a parte...
Em um tempo
que não se explica aqui...
Nesse tempo módico que temos...

A única coisa forte que nos move
é essa vontade amanhada na gente
de uma alegria que nos tomaram
em algum tempo...
Em que negociamos rápido demais
quais deveriam ser nossos limites...

Se há mesmo semelhança com quem nos criou
num “arroubo” de paixão...
não haveria de ser qualquer maçã
que podia tomar de nós
esse usufruto
do que experimentado foi...

Que Deus me perdoe...

Lupi Poeta

MULHER




Quantas vezes...
Em todos os tempos...
Em todas as épocas...
Que a mulher já vencia?
Mudava o mundo...
De Evas a Marias
Até o dia de hoje
Onde a sua própria condição
e o nome mulher já bastava em sua força...
quanto mais vivo
mais entendo a força de vocês...
mais perto de vocês quero estar...
que emprestam sua beleza
teus ventres santos...

tuas lágrimas que amodorram
qualquer paz...
qual lágrimas de vocês
não modifica o sossego de qualquer homem
médio?
Não preciso inventar uma emoção...
Ela esta em mim
Um poeta que conta certo que escreverá sobre vocês por toda vida
Para sentir esse aperto no peito
Esse nó na garganta
E a sensação de que meu anjo da guarda esta com o rosto
Encostado na minha nuca
Concordando com os olhos e dentes a mostra
Quando falo de vocês.

Lupi Poeta

FUSÃO COM A LUA




(para Reggina Moon)

Tenho tanto que agradecer a presença
da lua...
Pois o que é vital
reclama defesa...
lua,
que protesto em uma conexão aceita...
sem conflitos...
É um vicio de mão dupla
nos meus devaneios...
E por verdade
dependência minha...
Há fantasia minha sempre
quando falo de você...
Sigo o direito natural
em senso que foge médio
de produzir provas
contra mim...
fica fácil apontar para mim
e diagnosticar que vai aqui um louco...
Pois surge em magnetismo perfeito
o mais irracional de mim...
Não há como disfarçar
minha cobiça
de achar que você
é qualquer órgão meu
como minhas asas...

E essa lua cheia que somos hoje
estamos com outros loucos
como nós
gostam de ser...
só poesia...

Lupi

PERGAMINHOS




Estava perdido antes de todas essas emoções
achadas em mim por você...
nada sabia...
desconfio...
hoje sei os caminhos...
depois de me apaixonar por você...
Então eu estou repleto...
De seus olhos tirei a alegria...
De seus olhos desviados de mim
aprendi a tristeza
a paixão com dor...

Depois aprendi a dançar de olhos fechados
sem medo a sua música...
Já que eu não tinha musicas
ou as desaprendi...
Eu tinha ilusões...
Eu tinha histórias...
Ah! Elas pareciam-me perfeitas...

Mas hoje eu sou uma página branca...
Escreva nela...
Desenhe molduras...
Cole fotos antigas suas...
Derrame algumas lágrimas
De alegria...
De saudade...

Depois
olhem-me de perto...
Verá sou só essa vontade de uma paixão
que não tinha encontrado ainda...
Use todo carvão do grafite
nessa busca desprevenida que está em mim...
Deixe marcas que eu tatue onde eu estiver...
Perdido só o dia de ontem...
Por que hoje sou só receitas em pergaminhos...
para convencer você
que tudo pode começar hoje...

Lupi Poeta